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02 outubro 2009

Jesus Luz: o novo bibelô dos paparazzi. E de Madonna

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Madonna fez seu segundo grande lançamento do ano: Celebration. O primeiro foi Jesus Luz. O garoto carioca tem, hoje, maior importância na trajetória dela que o disco. Não por ele ser Jesus, mas por ela ser Madonna.

Vamos começar com o segundo lançamento. A coletânea dela é, como toda coletânea, nada original. Tem sua relevância, claro. Já é um novo recorde na carreira. Quase 80 mil cópias vendidas, na primeira semana, só no Reino Unido. Pela 11ª vez, ela emplaca um álbum no topo da parada britânica. Marca que a faz empatar com Elvis Presley e ficar atrás apenas dos Beatles, donos de 15 álbuns na liderança.

Passemos agora ao primeiro lançamento, aquele que os sites não deixam em paz. Algumas manchetes: “Madonna e Jesus Luz trocam beijos em balneário italiano”, “Depois do cochilo dentro do carro, Jesus Luz abre show de Madonna”, “Jesus Luz e Madonna posam em clima casalzinho durante festa em Nova Iorque”, “Madonna vai ao Muro das Lamentações em Israel com Jesus Luz”.

Ele é o novo bibelô dos paparazzi. O modelo alçado ao posto de mais paparicado do mundo. Um fôlego novo na aura de marketing que sempre cercou Madonna.

E como ninguém a namora impunemente, Jesus não escapou são e salvo da artilharia. Muitos, muitos anos mais novo, com bem, bem menos dinheiro, bem, bem menos fama e sucesso. Não deu outra. “Interesseiro! Gigolô!” são as pechas que lhe foram impostas. “Velha mal assumida! Cadela papa-anjo!” foram as jogadas sobre ela (aliás, nenhuma novidade).

E como ninguém a namora impunemente, Jesus não escapou são e salvo da artilharia

Como se fosse impossível um gostar do outro. Mesmo que seja fora do ideal romântico amoroso de folhetim, se eles se entendem, que se entendam por muito tempo. Só a má vontade alheia torce contra. Desde que Madonna se tornou ícone pop, fenômeno midiático, furacão sexual, estrela emblemática, símbolo do mau comportamento, viu-se obrigada a conviver com a má vontade. Quando surgiu usando roupas sexy, com rendas, laços e crucifixos, influenciando garotas mundo afora, era a “vaca novidade passageira”. Quando assumiu ser erótica, beirando ser pornográfica, a “vaca sem-vergonha e assumida”. Quando resolveu se espiritualizar pela Cabala, a “vaca infiel e herege”. Quando adotou crianças africanas, a “vaca oportunista”.

Mas ela, vaca ou não, sabe desviar das pedras. Melhor. Tudo que lhe é atirado na cara, pega e vira rápido a seu favor. Uma capacidade que a mantém por 26 anos no topo do pop, mundo onde sobreviver já é um esforço descomunal, onde ser descartável é destino quase certo.

Pedras também não faltam a Celebration. O álbum traz os velhos sucessos e duas músicas novas, Celebration e Revolver, que seguem o mesmo caminho das outras. Letra pueril, batida eletrônica repetitiva, refrão fácil, visguento e dançante ao extremo.

É só acompanhar: Come join the party (Venha juntar-se à festa)/ It’s a celebration (É uma celebração)... No more hesitation (Sem mais hesitação)/ Coz’ everybody wants to party with you (Porque todos querem festejar com você). Deu para sentir a “poesia”.

Que falem mal! Para os fãs fiéis, está valendo, valendo muito. E para os ocasionais também. Dependendo do humor geral na hora em que o som começar, tipo quando já se está com umas a mais na cabeça e Diana Krall já não corresponder, Madonna é convocada para animar a festa, para ter seus versos cantados alto e sem arrependimento depois. Convenhamos, ninguém se joga na pista de dança para filosofar sobre o sentido da vida.

Madonna não quer ser intelectualizada. Nunca quis. Quer polemizar, desordenar. Sempre quis. É assim que ela sabe ser Madonna. Sabe atingir seu público e seduzi-lo. Sabe que ele necessita de escândalos como precisa do batidão e das letras comprometidas com a diversão. Exigem uma diva, loura e louca, meia-idade que seja, mas ainda em forma, conservada mesmo que no botox e no photoshop, que não se entrega, fisgando garotões, mostrando poder.

E ela sabe que pode. Michael Jackson, único que a desafiava cara a cara (ou será o contrário?), já se foi. A disputa, então, fica pela vice-liderança. Beyoncé, Britney Spears, Rihanna e Lady Gaga que se engalfinhem.

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do JC ONLINE

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