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05 novembro 2009

[Polêmica] Malauí ameaça manifestantes contra escola de Madonna

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LILONGÜE, Malauí - O governo do Malauí ameaçou na quinta-feira prender camponeses que fizeram um protesto contra a construção da escola de Madonna. É uma nova polêmica envolvendo a cantora no país africano onde ela já adotou duas crianças, David Banda e Mercy James.

Cerca de 140 camponeses estão reivindicando mais dinheiro pelas terras que o governo arrendou à organização de caridade de Madonna, Raising Malawi, pelo prazo de 99 anos.

O comissário distrital de Lilongüe, Charles Kalemba, outros funcionários governamentais e a Raising Malawi não conseguiram chegar a um acordo com representantes dos camponeses em uma tentativa de solucionar a disputa.

"Se não pudermos concordar sobre isso e vocês não entenderem que esta terra é do governo, não terei escolha senão mandar a polícia prender vocês por estarem impedindo os trabalhos no local", disse Kalemba ao chefe do povoado, Chinkhota.

Madonna iniciou a construção da escola no mês passado e prometeu que, se o projeto for bem sucedido, construirá escolas semelhantes em outros países.

A Academia para Meninas Raising Malawi, que está sendo construída no povoado de Chinkhota, a 15 quilômetros da capital Lilongüe, deve ficar pronta em dois anos e receber 500 meninas dos 28 distritos do país, situado no sul da África. A previsão é que a obra custe 15 milhões de dólares.

O governo do Malauí foi criticado depois de Madonna ter adotado um menino de 13 meses, David Banda, em 2006. A acusação era de que o governo teria dado tratamento especial à cantora, passando por cima das leis nacionais que impedem pessoas não residentes no país de adotarem crianças.

Em junho deste ano, a Suprema Corte do Malauí revogou uma decisão que impedia Madonna de adotar uma menina de 4 anos, Mercy James, porque a cantora não reside no país.

Uma epidemia de Aids deixou mais de 1 milhão de crianças órfãs no Malauí, país de 13 milhões de habitantes.

"Estamos protestando porque achamos que o governo e a Raising Malawi não foram justos. Os acordos anteriores sobre quanto deveriam nos pagar foram revogados, e agora estão dizendo que a terra não pertence a nós", disse Chinkhota à Reuters após a reunião.

"Se estes problemas não forem resolvidos - se meu povo não receber dinheiro suficiente para comprar terras em outro lugar e levar sua vida adiante -, a construção dessa escola será afetada".

Um alto funcionário do Ministério Fundiário, Nector Mhura, disse que o pagamento oferecido pelas terras é baseado nos preços justos de mercado.

O GLOBO

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