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10 junho 2010

Crítica: Lady Gaga soa como cópia de Madonna em “Alejandro”, seu mais novo clipe

É de se esperar que o clipe de “Alejandro”, lançado por Lady Gaga na íntegra nesta terça-feira (8) após ter várias partes pulverizadas na internet nos últimos meses, não alcance a mesma repercussão que “Telephone”, o trabalho bombado da cantora feito em parceria com Beyoncé. Ainda assim, menos de 24 horas após surgir na web, o clipe já estava entre os quatro assuntos mais acessados na busca do Google, posição invejável para qualquer artista que não menospreza a rede mundial de computadores.

Em “Alejandro”, a música só começa mesmo após mais de dois minutos. Liderando uma espécie de exército, Gaga aparece com um visual soturno e andrógino – sobrancelhas apagadas, cabelos loiríssimos e boca vermelha. Essa quase sargento, mais adiante, se transforma em uma freira de hábito cor de sangue e, em outro momento, aparece apenas de lingerie simulando cenas de sexo sadomasoquista com os bailarinos que a acompanham no clipe. A saga dura quase nove minutos e é impossível deixar de pensar em Madonna quando se termina de assistir ao vídeo.

Que a popstar é a maior influência de Lady Gaga, a própria cantora já admitiu. Mas em “Alejandro” o que parece é que ela perdeu a mão e a todo momento o que se vê são criações que a própria Madonna já tratou de colocar em seus clipes, anos atrás. Performática, Lady Gaga sabe que seu maior trunfo não é, exatamente, sua potência vocal, e sim a maneira como repagina de forma particular todo o conteúdo pop que a influencia. Entrega seu produto com uma cara quase nova para um público acostumado com suas bizarrices e extravagâncias.

No novo trabalho, no entanto, vê-se em Gaga quase uma cover de Madonna (com direito a sutiã em forma de cone e tudo), que resolveu falar de sexo, religião e morte num tom “fúnebre fashion”. A produção é impecável, mas, se é para chocar, sua antecessora já tratou de fazer isso mexendo com os brios da Igreja Católica em 1989, quando colocou um padre por quem se apaixonava no clipe de “Like a Prayer”. Se o assunto, então, é sexo, ninguém melhor que Madonna explorou sua vertente de mulher fatal ao assumir, no disco “Erotica”, certa predileção por práticas sexuais que, em 1992, deram muito mais o que falar do que a simulação ensaiada de Gaga com seus bailarinos em plenos século 21. E muito antes da loira-ícone do estilista Alexander McQueen marchar diante das câmeras, o álbum “American Life” tinha mostrado sua autora em roupas militares citando frases que cutucavam o “american way of life”.

Dirigida pelo fotógrafo de moda Steven Klein, a superprodução de Gaga tem seu mérito. É mais um hit para se juntar a “Poker Face”, “Bad Romance” e, claro, “Telephone”, todas canções do álbum “The Fame Monster”. Mesmo que desta vez a cantora tenha se perdido um pouco em todo o seu show performático porque seu verniz característico não soou tão novo, Lady Gaga continua sendo esperta o bastante para colocar sua música onde ela melhor se encaixa: nas pistas das melhores baladas mundo afora. 

Colherada Cultural (PorThais Kuzman)

1 comentários:

Na Net, Lady Gaga diz que ofereceu o clipe "Alejandro" pra Madonna :D

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