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27 junho 2010

Leia: Colunista Cathleen Falsani escreve carta emocionada para Madonna


O jornal Huffington Post publicou uma carta comovente escrita pela colunista Cathleen Falsani para Madonna, agradecendo a ela por abrir caminho para as pessoas que pretendem adotar órfãos do Malauí. Leia abaixo esse lindo testemunho:

Uma carta aberta para Madonna: Obrigada, de mãe para mãe

Querida Madonna,
Obrigada.

No início dessa semana, após um longo mês vivendo temporariamente no Malauí, cheguei em casa na Califórnia com nosso recém-adotado filho, Vasco Fitzmaurice Mark David Possley. A adoção dele não teria sido possível sem você e as ações corajosas que você tomou no Malauí no ano passado quando a Alta Corte negou a adoção da sua preciosa filha, Chifundo “Mercy” James. Você não aceitou um não como resposta.
Você não aceito o argumento deles que permitindo a adoção de Mercy estariam encorajando o tráfico humano. Você não concordou quando eles disseram que Mercy ficaria bem no orfanato e sem o amor de uma família estrangeira.

Quando você recorreu daquela decisão míope e então ganhou a aprovação da adoção de Mercy da corte de Apelo do Malauí, você de maneira efetiva fez jurisprudência que deu o pontapé para abrir as portas para outras famílias americanas adotarem algum dos um milhão de órfãos pelo HIV-AIDS e outras doenças (incluindo uma estranha indiferença em relação ao sofrimento dos grupos mais vulneráveis entre nós).
Suas ações abriram o caminho para famílias serem criadas mesmo a milhares de quilômetros, ultrapassando as florestas da burocracia, representações diplomáticas e abismos culturais aparentemente irreconciliáveis.
Meu marido e eu encontramos Vasco em 2007 enquanto estávamos viajando pela África de férias. Alguns anos antes, tínhamos feito uma doação para uma organização em Blantyre que trabalha com algumas das 60.000 crianças que vivem pelas ruas do Malauí – a grande maioria deles, como você já deve saber, órfãos pela AIDS.

Fomos para o Malauí para ficar dois dias e passamos a maior parte do nosso primeiro dia visitando dezenas de garotos adolescentes – “crianças de rua”, na linguagem do Malauí – numa visita ao centro de Limbe.
No caminho de volta ao nosso hotel em Blantyre, nosso guia nos perguntou se gostaríamos de fazer outra parada numa rua de crianças, nesses termos, que era “bastante especial.”
Fomos até o aeroporto de Blantyre no distrito rural de Chileka, descendo por uma terraplana suja e vimos um punhado de cabanas feitas de lama. Nosso guia gritou alguma coisa e ouvimos uma voz estridente de um garoto gritar algo de volta – “Estou chegando!” em Chichewa, sua língua nativa.

Veio esse pequeno camarada Vasco – minúsculo, magro – talvez 15 quilos encharcados de suor – com olhos imensos e um sorriso que dividiria seu coração ao meio. Ele tinha por volta de 8 anos mas era do tamanho de uma criança americana de cinco.

Enquanto visitávamos com Vasco, que viveu nas sozinho nas ruas de Blantyre por meses após a morte de seu pai e sua mãe, ele sentou em colo. Quando ele pressionou suas costas ossudas no meu peito, o coração dele estava batendo tão violentamente que fazia o seu corpo tremer e balançar o meu por conseqüência. Eu tive uma boa impressão dele e notei que estava suando e se esforçando para segurar o fôlego até porque ele estava dormindo quando chegamos e não correndo ou brincando. 

“O que há de errado com ele?” Eu perguntei.
“Ele tem um buraco no coração,” nos disseram.

Durante o tempo em que ficamos no Malauí, meu marido e eu tentamos dar a ele cuidados médicos, mas não havia nenhum. Quando seguimos para dar continuidade a nossas férias no Leste africano (que ganhamos na loteria – não realmente), paramos para ver Vasco pela última vez. Abraçamo-lo apertado, dissemos a ele que o amávamos, e então nós voltamos para a van e fomos para o aeroporto.

Enquanto o avião decolava eu olhei para a cidade Africana lá embaixo e pensei nas centenas de vezes que eu deixei os aeroportos americanos, e eu sabia que se Vasco fosse uma criança pobre nos Estados Unidos – mesmo um órfão desabrigado – ele teria ido ao hospital e recebido os cuidados de que necessitava. Eu comecei a chorar e a choramingar, fazendo uma cena no vôo durante todo o caminho de volta para o Kenya.
O meu vale de lágrimas foi alimentado pela indignação de saber que Vasco provavelmente morreria de uma morte imoralmente precoce porque ele era pobre e africano. Este seria o pior tipo de injustiça. Eu me senti impotente, desesperançosa. Então eu me lembrei de algo que nosso amigo Bono havia me dito alguns anos antes: “Não podemos fazer tudo, Cathleen, mas o que podemos fazer nós devemos fazer.”

Eu não podia consertar o coração dele, mas eu podia contar a história dele.

Quando voltamos para Chicago, onde morávamos na época, eu contei a história de Vasco nas páginas do jornal ‘Chicago Sun-Times’ onde eu era colunista. A nota saiu numa sexa-feira pela manhã. No sábado à tarde três hospitais se ofereceram para cuidar do coração de Vasco gratuitamente se nós apenas o levássemos até Chicago.

Levou 18 meses para levá-lo até lá, mas em 29 de abril de 2009, Vasco chegou em Chicago. Duas semanas depois, enquanto estávamos na igreja no dia das mães (porque Deus tem um senso de ocasião, aparentemente) ele começou com uma febre. No dia seguinte, os médicos disseram que ele estava sofrendo de malária. 

A infecção, como aprendemos, tem um período de incubação de duas semanas. Vasco tinha tido malaria 2 vezes antes no Malauí e ele quase morreu. Se ele tivesse tido a febre antes de sair de Blantyre ele não estaria apto para viajar e suspeitamos que não estivesse vivo hoje.

Enquanto Vasco se recuperava da malária e de tantos outros parasitas que trouxera com ele do Malauí, a cirurgia foi adiada por mais de um mês. Ele ficou conosco em nossa casa fora de Chicago e durante esse tempo pudemos conhecer Vasco melhor. Vimos a pessoa maravilhosa que ele é – incrivelmente brilhante e curioso sobre o mundo, profundamente intuitivo e misericordioso, cheio de sentimentos, embasado e tão engraçado. Também aprendemos mais sobre o que a vida dele seria depois de retornar ao Malauí com seu coração consertado.

O plano sempre tinha sido esse. Levá-lo para Chicago, consertar seu coração e levá-lo de volta pra casa. Não importava que nós tínhamos nos apaixonado por ele ou se ele poderia realmente desfrutar de uma família, pais, amor consistente e segurança. Adoção internacional, nos disseram, era totalmente impossível.
Rezamos por uma resposta, uma alternativa, uma fuga e esperamos preenchidos igualmente por esperança e terror. Vasco sofreu cirurgia cardíaca no dia 10 de junho de 2009 no Hospital ‘Hope Children’s’ em Oak Lawn - Illinois, somente fora de Chicago.

Dois dias depois, quando ele seria movido da UTI para um quarto do hospital, ouvimos as notícias de que a instância inferior da Alta Corte do Malauí tinha derrubado a decisão e aprovado sua adoção de Mercy.
Precedente jurídico! Sentença! Um milagre!

Uma porta tinha se abrido para que nos tornássemos uma família legalizada. Foi um mitzvah criado por muitas mãos humanas (e divinas), incluindo as suas. Logo depois que Vasco foi liberado do hospital nos mudamos para Laguna Beach – Califórnia e demos início ao processo de adoção dele. Primeiro nos tornamos seus guardiões legais no Malauí e então se passaram meses de burocracia, papeladas em ambos os lados do mundo. Tivemos visita domiciliar, nossa impressões digitais coletadas pelo FBI, reunimos recomendações de amigos, família, nosso pastor, nosso rabino. Você conhece a prática. 

Enquanto isso, Vasco absolutamente florescia. Ele cresceu mais de 15 centímetros e pegou mais de 13 quilos. Ele ingressou na escola pela primeira vez e ultrapassou todas as expectativas: aprendeu inglês, a ler em tempo recorde, jogou futebol durante o campeonato da cidade, aprendeu a nadar e a andar de bicicleta, snow board, skate e até a surfar.

No início da primavera, tudo estava no lugar. Estávamos esperando um encontro na corte do Malauí para legalizar o processo.

No final do mês passado, nós três – Vasco, meu marido e eu – retornamos ao Malauí para nossa audiência de adoção. Rezamos pra Deus por favor e piedade e tentamos não entrar em pânico. Com o coração saindo pela boca, no dia 1º de junho andamos pelas câmaras do juiz Judge John Chirwa na Alta Corte em Blantyre. O juiz começou a ler sua decisão e no meio da leitura comecei a chorar de alegria quando Chirwa anunciou que ele estava legalmente amparado pela decisão do “caso Mercy James” e portanto, ele aprovou nossa adoção.

Por causa de Mercy.
Por causa de você.

Vasco agora tem uma família para sempre. Eu tenho um filho bonito, saudável e feliz – meu primeiro e único filho. Nós estamos abençoados e gratos. A Deus e a você. A benção que você ajudou a criar não vai terminar com o nosso exemplo. Nós contamos a história de Vasco para qualquer um que queria escutar e estamos criando um mapa de estrada para guiar outras famílias americanas em outras jornadas sagradas para adotar crianças malauianas que precisam desesperadamente deles. 

Do fundo do coração dessa nova mãe, obrigada.

Por sua generosidade de coração e espírito, bem como pela sua perseverança, bravura e chutzpah (palavra usada pelos judeus que significa ‘coragem para ir à luta’) – exatamente como a bíblica rainha Esther cujo nome você escolheu como um dos seus – obrigada.

Você tem sido um poderoso via de chisomo – graça – em nossas vidas. E no meu coração, você sempre será a fada madrinha de Vasco.

Deus te abençoe, Madonna.
Cathleen Falsani 

Absolument Madonna [Tradução Madonna Ever]

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